Política

Ativistas e intelectuais marcham em Lisboa pela libertação de jovens angolanos acusados de promover golpe de Estado

Centenas de manifestantes, entre eles os escritores angolanos José Eduardo Agualusa e Rafael Marques, marcharam nesta quarta-feira (14) pelo centro de Lisboa, em Portugal, para exigir a libertação de 15 ativistas presos em Luanda, capital da Angola, acusados de tentar promover um golpe de Estado contra o presidente José Eduardo dos Santos, no poder há 36 anos.

A passeata seguida de uma vigília na Praça do Rossio, região central da cidade, foi organizada pelo escritório português da organização não governamental de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, que acompanha de perto a situação dos jovens, detidos entre os dias 20 e 24 de junho deste ano.

Os ativistas foram presos preventivamente por participarem de reuniões para discutir o livro “Ferramentas para destruir o ditador e evitar nova ditadura — Filosofia política da libertação para Angola”. A publicação é proibida no país e o autor, o jornalista Domingos Cruz, também está detido. A prisão preventiva já dura 115 dias, 25 a mais que o período máximo permitido pela legislação angola.

O grupo foi formalmente acusado do crime de rebelião contra o Estado e de organizar um golpe recorrendo à “desobediência civil”. Se condenado, pode pegar três anos de prisão.

Greve de Fome

A situação dos ativistas angolanos passou a chamar a atenção da comunidade internacional depois que o rapper Henrique Luaty da Silva Beirão, de 33 anos, deu início a uma greve de fome que já dura 23 dias.

Durante três semanas, ele ingeriu apenas água com sal e açúcar, providenciada por seus familiares, e no dia 11 de outubro aceitou que lhe fosse administrada solução salina por via intravenosa. Internado na Prisão Hospital de São Paulo, em Luanda, o artista enfrenta estado saúde bastante delicado e corre risco de morte.

A Anistia Internacional em Portugal lançou uma petição exigindo a libertação imediata dos 15 ativistas e em uma semana já conseguiu 28 mil assinaturas. “Estamos aqui a fazer aquilo que neste momento os angolanos não podem fazer que é falar, exprimir opiniões, manifestar-se de uma forma pacífica, reunir-se para discutir ideias, falar de direitos humanos ou de política, tudo aquilo que está no Estado de Direito Democrático”, afirmou a diretora executiva da Anistia Internacional em Portugal, Teresa Pina.

Texto e fotos de Antônio Martins Neto

Editor do Blog Mundo Possível

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