Economia

Ciclismo na Europa gera mais emprego que minas, pedreiras e siderúrgicas

Até onde vai a vantagem de se investir na bicicleta como um meio de transporte urbano?

Um estudo encomendado pela Federação Europeia de Ciclistas mostra que os benefícios vão além da diminuição da poluição e da melhora no trânsito.

Segundo o relatório, as bicicletas e as ciclovias geram emprego e fomentam o comércio local.

Só na Europa, 655 mil pessoas trabalham no que se pode chamar de economia ciclística, que inclui produção de bicicletas, turismo, varejo, infraestrutura e serviços.

O número de trabalhadores no setor supera o das minas e pedreiras, com 615 mil homens, e equivale ao dobro dos empregados na indústria de aço, cuja força de trabalho é de 350 mil pessoas.

Atualmente, 3% dos deslocamentos na Europa são feitos de bicicletas, mas o setor espera dobrar esse percentual até 2020 e chegar à marca de um milhão de empregos.

O estudo mostra ainda que a intesidade da empregabilidade no ciclismo é maior que em qualquer outro sub-setor do transporte, como o automotivo, que emprega três vezes menos por cada milhão de euros de faturamento.

Os empregos gerados pela indústria ciclística também costumam ser mais estáveis e inclusivos, uma vez que são mais acessíveis a trabalhadores com baixa qualificação.

O fomento ao comércio local é outra vantagem da bicicleta como meio de transporte, uma vez que os ciclistas tendem a frequentar lojas, restaurantes e cafés próximos de suas residências, diferentemente de quem usa outros modais de transporte.

O maior desafio do setor, no entanto, é convercer as autoridades locais e governamentais a investir em ciclovias e campanhas de segurança.

Agora a gente pode mostrar que cada ciclovia e cada ciclista constribui para o crescimento dos empregos. Investir no ciclismo traz um retorno econômico melhor que qualquer outra opção de transporte. Esta deveria ser sua primeira escolha sempre”, disse ao jornal britânico The Guardian Kavin Mayne, diretor de Desenvolvimento da Federação Europeia de Ciclistas.

Esse relatório é outro exemplo de como a transformação para uma economia verde, de baixo carbono, pode criar empregos com os investimentos adequados”, afirmou ao The Guardian Julian Scola, porta voz da Confederação dos Sindicatos Europeus de Comércio.

O relatório, produzido pelo instituto de pesquisa Transport and Mobility Leuven, será publicado no mês que vem.

O jornal britânico teve acesso preliminar aos resultados do estudo.

(com informações do The Guardian)

Por Antônio Martins Neto

Editor do Blog Mundo Possível

Comments 2

  1. Thomas

    Sem a mineração do ferro ou do alumínio não tem como fazer a bicicleta, são cadeias complementares.

    Empregos se somam.

    Abraços

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  2. Luiz Eduardo C. Chaves

    Aqui em São Paulo estamos com vários percursos de ciclovias que no dia a dia não vemos ciclistas, o que gera comentários sobre o real ganho com este modelo em detrimento aos problemas de mobilidade causados nos automóveis e ônibus por ter essas faixas. Acredito que o modelo a ser adotado aqui no Brasil seja diferente da Europa, ou talvez em algumas cidades seja possível, além do problema cultural e o clima quente que faz com quem use este transporte chegue suado ao trabalho. Seja como for, sempre será importante que busquemos formas sustentáveis como alternativas.

    Abraço a todos

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