Comportamento

Franceses ganham “bolsa bike” para ir pedalando ao trabalho

O que falta para boa parte da população trocar o carro pela bike?

No Brasil, o caos no trânsito ainda não foi capaz de provocar uma mudança de hábito em massa, e muitos declinam da ideia diante da falta de ciclovias e de segurança nas ruas.

Mesmo nos países com avançadas estruturas para ciclistas, tal mudança só ocorreu com incentivos capazes de atingir o mais sensível dos órgãos humanos: o bolso.

É o caso dos campeões de ciclistas por metro quadrado: Dinamarca, Bélgica, Alemanha e Holanda.

Nesses países, os incentivos vão da redução nos impostos ao pagamento por quilômetro pedalado, passando por subsídio para a compra de bicicleta.

São táticas de resultado e que fazem da bike o principal meio de transporte para um em cada quatro moradores.

A França, onde apenas 2,5% da população vai e volta do trabalho pedalando, quer entrar no grupo e para isso acaba de lançar uma espécie de “bolsa bike”.

O programa prevê o pagamento, ao trabalhador, de 25 centavos de euro, cerca de 80 centavos de real, por cada quilômetro percorrido de casa ao trabalho e do trabalho para casa.

No país, pioneiro no uso de bicicletas compartilhadas, cada viagem tem em média 3,5 quilômetros de extensão.

Ou seja, o trabalhador vai ganhar em média 1,5 euro por dia e quase 38,5 euros se trabalhar 22 dias por mês, algo como 120 reais.

Somado com o que se deixa de gastar com carro, gasolina ou com passagem de transporte público, o incentivo torna-se tentador.

E ainda dá para colocar na conta a economia com a academia de ginástica.

Já o país ganha com a queda na emissão de gases de efeito estufa, menos congestionamento e menor gasto com saúde.

Até agora, 20 empresas de grande porte, que somam 10 mil funcionários, aderiram ao programa.

Mas a meta é ambiciosa: fazer com que metade dos trabalhadores do país utilizem a bicicleta.

E, no Brasil, a gente ainda luta pela ciclovia…

Por Antônio Martins Neto
Editor do Blog Mundo Possível

Comments 2

  1. Silvânia

    Enquanto lutamos por ciclovias, também temos de nos deparar com falta de educação de muitos motoristas que não respeitam os ciclistas… Realmente estamos bem atrasados em relação ao assunto.

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  2. Rodrigo

    Não é só lutar pela ciclovia não. Tem que haver educação para o trânsito. E também não adianta dizer que os motoristas de carros, ônibus e táxis são os vilões, basta ver as emergências cheias de motociclistas pensando que os carros são os culpados. Só peço uma coisa: na hora de incrementar o modal de duas rodas sem motor no nosso trânsito, não esqueçam de ensinar a população como se anda de bicicleta. E olhe que eu não estou falando de ensinar a se equilibrar. “No trânsito, somos todos pedestres”. Falei.

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